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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Marina e seu companheiro




Marina estava fumando um cigarro, na sacada de seu apartamento. No oitavo andar, de onde ela podia ver todas as luzes da cidade, dos outros prédios, a luz dos postes, os faróis dos carros que passavam lá embaixo. Ela deixava cair às cinzas na rua de propósito, olhando as cinzas se perdendo antes de chegar ao asfalto. Gostava de ver as cinzas flutuando por alguns segundos. Curtindo a noite, olhando o pouco do movimento da madrugada. Era o que tinha naquela altura.

Um bêbado tropeça ao atravessar a rua e volta para a calçada, olhando desconfiado para os dois lados. Chama sua atenção, ela o observa cambaleando, parecendo um novato em alguma embarcação, sem encontrar um ponto de equilíbrio. – Marujo a deriva! Ela grita, sem saber por que e o que significa.


Seu ponto de equilíbrio também não anda muito bem, - ela pensa. Enquanto acende outro cigarro na brasa do que acabara de fumar. No prédio da frente dois apartamentos ainda estão com as luzes acesas, um tem a persiana aberta. Marina vê um casal fazendo amor numa cama grande. Os lençóis parecem tão brancos, macios. A cidade com todo aquele concreto e labirinto de prédios é tão abafada no verão, mesmo de madrugada parece que falta ar.

 
Fred chegou de mancinho, por trás. Começou a lhe fazer um carinho. Ela sentiu um arrepio e voltou seu olhar pra ele. Passado o susto, voltou a contemplar a noite e sua cidade. Ela tinha se tornado indiferente.

Quantas pessoas ainda estariam acordadas àquelas horas, que historias teriam e por que não estavam dormindo, estavam sentindo à mesma falta. Era o que tinha naquela altura para pensar.

 Que ela sentia de algo que não sabia ao certo o que poderia ser, mas que a estava incomodando. Continuou pensando enquanto retirava outro cigarro da carteira.

Uma ambulância atravessou a avenida em alta velocidade com as luzes vermelhas rodopiando e a sirene ligada, dobrando logo em seguida. O som ficando cada vez mais fraco até se perder na noite.

 Dos outros carros que passava ela apenas escutava o som dos pneus rolando pelo asfalto. Marina nem viu quando a janela da frente se fechou e as luzes se apagaram no apartamento do casal.

Fred desistiu de tentar animá-la e foi até a cozinha beber água. Ela suspirou, levantou os braços e se espreguiçou. Toda aquela energia retida em seu corpo, sem ter algo para fazer. Ela tinha muitas coisas para fazer, mas não conseguia se definir por onde ia começar.

Escutou quando o copo de vidro caiu no chão, foi até a cozinha pronta para xingar seu companheiro. Quando acendeu a luz da cozinha viu a bagunça que estava. Fred já tinha ido para o quarto e estava deitado. Marina limpou a cozinha, juntou os cacos de vidro, colocou na lata de lixo. Acendeu mais um cigarro e aqueceu o café. Enquanto tentava sintonizar uma radio, o café ferveu e virou por cima do fogão. Desistiu, voltou para a sacada. A lua cheia, já estava se escondendo por detrás de outros prédios, logo ia amanhecer. Suspirou.

Não tinha nada pra fazer, nem sono. Chegou a cogitar fazer uma limpeza no apartamento, passar o aspirador de pó. Mas logo repensou, e mudou de idéia, os visinhos poderiam reclamar, pensou. Marina pensava demais.

 Sentiu-se como se o apartamento era de outra pessoa. Sentiu-se mais estranha, uma espécie de angustia ia sufocando-a. O bêbado estava lá embaixo sentado no cordão da calçada, com a cabeça inclinada encostada entre os joelhos. Marina sentiu vontade de descer e conversar com o sujeito.

Mudou de idéia, resolveu acender o ultimo cigarro e ir para o quarto. Fechou a porta da sacada e foi se deitar. Fred estava aninhado em seu travesseiro, ela passou a mão por seu pêlo e deitou do outro lado da cama. Enquanto o gato ronronava.

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