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terça-feira, 1 de abril de 2014

quando nasce um romance - novela - röhrig c.

QUANDO NASCE UM ROMANCE (paginas 1-10) 185 paginas

QUANDO NASCE UM ROMANCE




Röhrig C.



Gênero literário: Novela






Para John Fante e Charles Bukowski




Apenas um aviso, querido leitor

“Se quiser saborear estas páginas e descobrir como é a vida de um escritor alcoólatra, neurótico, suas aventuras e fantasias sexuais, suas amantes, os amigos e toda a atmosfera que o cerca, e sem medo do grotesco e seco ar de um mundo à parte do habitual e correto... Seja bem vindo! Mas não esqueça que o avisei.”

Ass. JEUX


Otic-tac do relógio no início parecia que vinha de longe... tic-tac, tic-tac, tic-TAC, TIC-TAC. Acordei com o tic-tac do relógio da sala, já passava do meio-dia e minha cabeça parecia que ia explodir. “Ressaca meu amigo, pura ressaca.” Eu pensava. “Muita ressaca.” Arrastei minha cara por debaixo da almofada para fora do sofá e assim começou o meu dia.

Senti que tinha algo em minha mão, por algum motivo tinha dormido com aquilo, abri a mão e encontrei um pequeno pedaço de papel escrito e assinado:

“Uma coisa eu aprendi, estou sempre matando minhas histórias nas primeiras oito páginas como se quisesse que o leitor não continuasse, mas se ele insistir mesmo assim em prosseguir, então ele poderá ver realmente a história que quero contar...” Por Jeux.

Fiquei ali parado escutando o silêncio e o murmurinho que vinha da rua, alguns carros passando seus pneus de borracha sobre o asfalto, o intervalo de silêncio entre um e outro. Um cachorro a umas quatro quadras latindo, alguns pássaros discutindo as novidades na árvore em frente a casa, uma sirene. Abracei a almofada e fiquei imóvel, imaginando que ninguém sabia que eu estava ali, fiquei encolhido na posição de feto dentro da barriga da mãe, e o tic-tac continuava... estava seguro ali. Queria simplesmente ficar ali e desaparecer para o mundo em meus pensamentos, cogitando a respeito do que gostaria de escrever. É muito fácil começar a escrever uma história contando mil e uma vantagens, criando cenários maravilhosos, locais horríveis, fantasmagóricos, iluminados, exóticos. Todas as histórias têm várias facetas fáceis de seguir, mas o que realmente eu gostaria de escrever ainda não tinha pensado ou não tinha passado. Foram tantos anos tentando escrever algo que fizesse algum sentindo, que tocasse pelo menos um coração ou que abrisse uma porta para um mundo além da razão. Precisava de uma pedra de toque. Uma pedra mágica. E todos os projetos perdidos no grande naufrágio, o encontro, a falta de razão. Um simples motivo que desse a ignição, nem tão simples. Nossa alma clama por uma história que toque os sentimentos, uma história de amor verdadeiro. Onde encontrar o amor então? Ou seria ele que nos encontra? Procurando, procurando, tinha apenas uma pista do que eu queria, mas aonde encontrar uma mulher tão especial como a personagem perfeita de um romance? Uma mulher que transparecesse a sensualidade, com olhos de felina, um olhar provocante e que atiçasse as mais loucas fantasias, uma boca ávida? De um erotismo sem procedências, completamente misteriosa, e que renovasse a minha alma tão miserável? Estava completamente cético a respeito do amor e das relações humanas. Um vazio que apenas o álcool era capaz de preencher.


Tinha pensado em algo diferente nas últimas 24 horas, mas meu corretor ortográfico corrigiu meus pensamentos. Fiquei sem ação, minha única vontade, o anonimato, a escuridão das sombras, o desejo mecânico. Uso muito a expressão “mas”. Não sei exatamente o sentido para tudo isto, nem ao menos esta ressaca absurda, já faz oito dias que estou de ressaca, meu fígado deve estar um frangalho, tudo acaba numa negação. Tento escrever uma linha coerente, e “bum!” E lá está outra negação. Quero ficar esquecido apenas mais um pouco, dou uma olhada na cortina que não deixa o sol entrar e fico imaginando como ela é minha amiga, poderia simplesmente desaparecer neste sofá e tudo estaria resolvido. Mas ainda tinha algo para ver. Precisava encontrar uma esperança.

O telefone tocou, e tocou várias vezes até conseguir atender, enquanto meus pensamentos se quebravam minha mão alcançou o aparelho, atendi.

-Alô...

-Poderia falar com o Sr. Paulo? – A voz do outro lado perguntou. Dava para sentir que era uma frase que ela vinha usando há muito tempo, talvez apenas trocando o nome. De forma mecânica.

-Quem?

-Com o Sr. Paulo, ele está?

-Não estou escutando, pode falar mais alto?

-Falar com o Sr. Paulo! Sr. Paulo! O senhor está escutando?!!!

-Mas não tem ninguém com esse nome aqui!

-Este não é o número do Sr. Paulo?

-Eu Já falei que não!

Desliguei o telefone, toda a atmosfera havia se dissipado naquela ligação idiota. Fiquei curioso em saber quem era o Sr. Paulo, o sujeito estava devendo dinheiro para algum banco, nunca me engano com aquele tom de voz e a palavra “senhor” antes do nome já revela as intenções que correm do outro lado da linha. Eu estava muito acostumado com aquele tipo de ligação, pelo menos umas cinco vezes por dia eu recebia um “alô, poderia falar com o Sr. Jeux?” Só muda o nome como disse antes, esqueci o que estava pensando. Dei uma boa olhada ao meu redor, as paredes verdes da casa descascando, livros espalhados por todos os lados, meu computador em cima da mesa perdido no meio de um mar de folhas, contas, algumas garrafas vazias e um cinzeiro transbordando, pratos com restos de comida em todos os locais que seriam possíveis deixar. Levantei e fui ao banheiro dar a primeira mijada. A mijada que chamo de mijada de ouro. É sempre tão escura a primeira urina! É difícil começar, mas depois que começa a sair é difícil parar, dou uma sacudida e guardo meu amigo.
A casa tinha quatro cômodos, banheiro, sala, cozinha e uma pecinha minúscula que deveria ser o quarto, que estava

continua................

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