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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A poetisa da bunda perfeita


Tédio seria a palavra mais perfeita para definir aquele sarau, tudo cheirava a mofo e melancolia. Se melancolia tivesse cheiro, cor e textura. Os aplausos tinham um som estridente que ecoavam ao ridículo de um eco vazio. A alma humana às vezes é muito medíocre. Junte um bando de cretinos numa sala e feche a porta.
 Eu continuava bebendo e sorrindo, não tinha nada para fazer naquele local. Talvez apenas o fato de querer participar daquele grupo. Mas com o passar das horas eu via que tudo tinha o sentido de uma anedota. Ágata apareceu no alto da escada vestindo um vestido longo e justo. Um vestido vermelho que contrastava com sua pele morena clara e os cabelos negros cacheados. Realmente deslumbrante e sensual, sua aparição deu um novo sentido ao evento.
Ela desceu os degraus da escada com tanta sensualidade. Simplesmente esqueci onde estava e o que estávamos fazendo. Sua boca de lábios carnudos e o batom vermelho. Os pequenos gestos que fazia com as mãos. Seus olhos vibrantes e verdes. Ela sorria com os olhos. Exalava um perfume com seus gestos, que me contagiou.
 Ela continuava descendo e seguiu caminhando pelo salão passando por minha mesa e indo em direção ao pequeno palco. Fiquei deslumbrado e tentado a saber mais a seu respeito. O vestido se moldava as suas curvas, tinha os seios fartos e a bunda carnuda. O corpo de um violão como diriam os antigos.
Uma mulher de uma beleza antiga, cheia de curvas e sabores. Tirou a atenção do pobre poeta que tentava choramingar um poeminha de amor boçal, transfigurado por algumas luzes falsas de neon.
 O palco também era outra coisa deprimente e pobre. Tinha na sua decoração o mesmo mau gosto dos textos que ali estavam sendo recitados. O que salvava era a bela bunda da poetisa e seu vestido vermelho justo. Parecia que ela estava usando um vestido de borracha, extremamente justo e provocante. Tinha algo de provocante em toda aquela cena que me deixou constrangido com meus próprios pensamentos, enquanto os outros se invertiam com a possibilidade de serem grandes.
Patrícia tinha salvado a noite, comecei a ver tudo de maneira clara e objetiva. 
Ela segurou o microfone e falou o meu nome. Sai da minha mesa em sua direção, não sabia o que ela queria. Apenas escutei meu nome e caminhei em sua direção.
As outras pessoas começaram a aplaudir. Eu tinha vencido. Caminhei em sua direção, ia ser um espetáculo. Eles iam ver como se faz.
Eu tinha sido um sujeito bom aquele dia, tinha lavado a louça na casa da Joyce enquanto seu marido viajava. Tinha feito outras coisas também na casa dela. Continuei o caminho da gloria, a cada passo que eu dava sentia as minhas pernas mais pesadas. Minha cabeça também começou a pesar e fiquei olhando meus pés. Não tinha reparado a distancia antes do palco. Uma eternidade.
Ela sorriu pra mim, eu subi no palco. Quando me virei para a platéia. Percebi que tinha uma platéia.
- É com grande satisfação... ela disse.
Eu estava muito satisfeito, por estar a seu lado, sentindo seu cheiro e vendo suas curvas.
- Prezado poeta amigo lhe ofereço esta menção. Ela terminou.
Peguei a folha e dei uma olhada, tinha ganhado não o primeiro lugar, ou o segundo, terceiro, quarto, quinto.... Mas uma menção honrosa. Fiquei tomado pelo horror. Os aplausos não paravam. E de repente parara. Ficou um silêncio e uma expectativa. Minha musa alcançou o microfone. Olhei a platéia e disse: - Obrigado.
Fiquei petrificado no local, não sabia que tinha tantos olhares para o palco. Não conseguia me mexer. Ela apertou a minha mão e sorriu.
Ficamos segurando a mão um do outro num longo cumprimento. Ela continuava sorrindo. Eu continuei apertando sua mão. Continuamos parados. Baixei os meus olhos em direção aos meus sapatos e desci. Mais uma eternidade se passou até eu encontrar a minha mesa. Alguns comprimentos no meio do caminho. Consegui sentar e secar o meu copo. Estava seguro novamente.

A festa continuou com mais menções honrosas, todos ganharam alguma coisa naquele dia. Ela saiu no final dos prêmios e voltou a subir as escadas. Uma bunda perfeita subindo degrau por degrau.


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