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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Apenas um trago


Já tinha dado uma volta por todos os bares e a noite estava péssima, nenhuma novidade. Nada atrativa. Teria ganhado mais se tivesse ficado em casa. As pessoas pareciam todas iguais e sem graça. Resolvi apenas beber um pouco mais e escolhi um bar pouco movimentado. Sentei-me do lado do balcão e pedi para o garçom uma cerveja. Nem a cerveja estava na temperatura adequada, parecia amarga demais. Tudo parecia entediante e sem graça. Continuei bebendo e olhando a televisão. Estava passando um filme antigo. Parecia um bom filme. Eu podia ter ficado em casa bebendo e assistindo televisão. Mas tive que sair. Maldita esperança. Sempre procurando algo novo. E sempre ficando decepcionado. Já tinha passado a casa dos 30 anos.
A maioria dos meus amigos já estava com algum empregado bom; casados e cheios de dividas. Bem, a vida deles não era grande coisa também. Continuei bebendo e pensando na inutilidade da vida humana. Mas todo este discurso melodramático é só para contar o que veio a seguir. Já estava ficando bêbado e cada vez mais chateado.
Ela surgiu no canto do balcão e foi se aproximando, lentamente. Parecia um animalzinho selvagem.
- Oi! Ela disse, de maneira simpática e jovial.
- Oi, amiguinha. Eu disse de maneira patriarcal.
- O que você está bebendo? Ela perguntou.
- Cerveja.
- Posso beber com você?
- Não sei se é uma boa idéia.
- É claro que é; à noite esta perfeita.
Ela acenou com a mão e pediu mais um copo. Estávamos apenas os dois no balcão, mas ela fez questão de juntar seu banco ao meu. Quase grudou os dois bancos.
- Você não parece ter idade para estar aqui. Eu disse.
- E qual é a idade?
- Não sei, mas com certeza você não tem.
- A idade está na cabeça de cada um. Ela disse e secou seu copo. Eu completei novamente o copo dela.
- Deveria procurar alguém da sua idade.
- São muito imaturos, gosto de homens mais velhos.
Estava dando os comerciais na televisão. Pude olhar melhor para ela. No máximo deveria ter uns 15 anos, ou menos.
- E seus pais sabem que você está aqui?
- Eles não ligam, já estou crescidinha.
Fiquei imaginando quantos anos daria de cadeia se eu levasse aquela conversa até o fim. E as manchetes nos jornais “velho bêbado abusa menina inocente”. Pedi outra cerveja para o garçom e na televisão voltou a passar o filme. Já estava na metade do filme. Continuei assistindo fixamente. Enquanto ela ajeitava o cabelo. Quanto mais ela mexia no cabelo, mais exalava um cheiro bom e sensual.
- Você gosta do meu cabelo? Ela disse, colocando a mão em cima da minha mão.
- Claro! Respondi, sem tirar os olhos da televisão. Apenas sentindo o perfume.
- Sente como ele é macio. Ela disse, pegando a minha mão e passando em seus cabelos.
Ela tinha o cabelo muito macio e cheiroso. Enquanto passava minha mão por seu cabelo o perfume exalava mais forte. Dava pra sentir o quanto era macio seu cabelo e o calor da pele da sua mão segurando a minha. O capitulo terminou e voltou os comerciais. Dei uma olhada ao redor e vi que as pessoas nas mesas próximas ficavam nos olhando. Como se eu estivesse fazendo algo errado e proibido. Até o garçom estava me olhando de cara feia. Pedi outra cerveja.
- Mora aqui perto? Ela perguntou.
- Moro. Respondi.
- É casa ou apartamento?
- Apartamento.
- Podíamos ir lá tomar uma cerveja.
- Não me parece ser uma boa idéia.
- Esta com medo de mim? Ela disse, sorrindo.
- Claro que estou. Não estou a fim de me encrencar.
- Mas ninguém precisa saber.
- Um momento, vai começar o filme.
Cortei o assunto e voltei a olhar o filme. De onde tinha saído àquela garota? Fiquei pensando, enquanto o mocinho prendia o bandido. Ela não estava gostando do pouco caso que eu estava fazendo e resmungou: - você é um babaca!
- só um momento. Respondi, sem tirar os olhos do aparelho.
Quando a olhei, já tinha sumido.
O filme tinha salvado a minha vida, pensei. Mas por outro lado ela era bem gostosa, podia ter levado ela para o meu apartamento. Paguei a conta e sai para procurá-la.





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