Pular para o conteúdo principal

DICA DO DIA

Quarto capitulo - novela - negociante de almas - Röhrig C. - lançamento 2015 - livro

Quarto capitulo - novela - negociante de almas - Röhrig C. - lançamento 2015 - livro



04
Decidi andar pelo estacionamento, para fazer hora. Estava cansado de esperar. Parecia que todos tinham esquecido o funeral. Vai ver o sujeito tinha razão. O velho Anderson não deveria ser boa gente. Andei entre os carros chutando todas as pedras que apareciam no caminho. Mas aquilo não estava funcionando da maneira que deveria. Olhei o relógio e tinha apenas passado dez minutos. Uma manhã interminável. O que significava isso? Você só percebe que está vivo pelo numero de horas que espera algo. Tudo é sempre uma espera. O pedreiro continuava tirando os tijolos de dentro do porta-malas do carro. Ele me viu.
- Dia bom hoje – ele disse. – Daqui a pouco o pessoal chega. Ainda é muito cedo. Sabe como é. O pessoal sempre gosta de deixar tudo pra ultima hora.
- Tens razão – Eu disse. – Eu é que cheguei muito cedo. Falta muito ainda?
- Estamos terminando.
- Serviço difícil este seu.
- Acostuma.
- Não gosto de cemitério.  Não gosto de nada que lembre a morte.
- É apenas um serviço.
- Vou pensar...
- Você esta abalado, porque é parente. Mas acostuma quando não se tem nenhum laço com o finado.
- Foi apenas um grande amigo. Não tínhamos nenhum parentesco.
- Melhor assim – ele disse. – preciso ir agora.
Fechou o porta-malas e saiu carregando os tijolos.
Do outro lado do estacionamento tinha um gramado com algumas árvores, decidi ir até uma árvore que tinha a copa bonita e frondosa. A grama ainda estava úmida do orvalho. Meus sapatos ficaram com o bico molhados. Caminhei até a árvore e fiquei apenas olhando para ela. Distraído. Ângelus se aproximou sem eu perceber.
- Bom dia, Pedro Rodríguez. – Ele disse.
Devo ter me virado de maneira estranha e assustado. Ele estava sorrindo, como se tivesse sido proposital sua aproximação sorrateira.
- Bom dia! – eu disse. – Ângelus.
- Chegamos cedo. Você não acha?
- Combinei com a viúva, que viria coordenar os preparativos.
- Tudo em ordem?
- Sim.
- Que bom. Não a nada pior do que uma despedida atrapalhada. Sabe como é as pessoas ficam muito sentimentais nestas horas. E tudo vira um drama.
- Mas é um drama! Eu disse, em bom tom.
- Não quero desprezar a sua dor meu amigo. Depois de um tempo se acostuma.
- Vai me dizer que você trabalha aqui.
- Meu trabalho tem algo a ver com este lugar, mas não necessariamente trabalho aqui.
- Cheio dos mistérios.
- Errado. É tudo muito simples, tão simples que você não consegue enxergar o obvio.
- Você conhecia mesmo o Anderson? Começo a achar que não.
- Porque você pensa isso?
- Estou achando que você é um daqueles malucos. Que adora ir a funerais.
Aí notei que seus sapatos estavam secos. Como podia não ter molhado os sapatos. Nem uma folha de grama. Limpos como na noite anterior. E usando o mesmo terno. Comecei a pensar que estava conversando com um fantasma, ou algum tipo de alucinação.
Ele notou que eu estava olhando para os sapatos.
- são bonitos. Gostou deles?
- São sim. De que marca é?
- Não me recordo, comprei há alguns meses na Itália. São feitos de forma artesanal e únicos.
- Deve ter custado caro?
- Valeu cada centavo. O conforto compensa.
Os carros dos parentes e amigos começaram a chegar ao estacionamento.
- Estão chegando.
- Vamos. – Ele disse.
E foi andando em direção do estacionamento.


Ofertas:

Postagens mais visitadas deste blog

"Eu nunca o vi bêbado" - uma entrevista com o editor de Bukowski (RARIDADE)

John Martin foi o editor de Bukowski durante grande parte de sua carreira, e é por isso que você agora sabe quem é Buk e você o ama ou odeia. Foi o que ele nos contou sobre sua conta.





Bukowski e sua esposa Linda. Fotos via Getty Images

Seja qual for a sua opinião de Bukowski - que você acredita que um niilista talentoso que só pensou em beber e foder, a voz de uma geração, ou um pouco de ambos - é inegável que era uma figura fundamental na história literária de Los Angeles. Por esse motivo, quando faz alguns anos trabalhamos no número do programa (o tema de Hollywood), decidi entrar em contato com John Martin, o editor de Bukowski. No final, a entrevista não foi publicada e permaneceu no rascunho até alguns dias atrás, quando decidimos publicá-la.


Se existe uma pessoa viva que pode dizer que conheceu o verdadeiro Charles Bukowski, essa pessoa é Martin. Martin foi o editor de Bukowski durante grande parte de sua carreira, e é por isso que você agora sabe quem é Buk e você o ama ou odei…

Exclusive Stephen King Interview - Entrevista exclusiva de Stephen King

Stephen Edwin King (born September 21, 1947) is an American author of contemporary horror, suspense, science fiction and fantasy. His books have sold more than 350 million copies[2] and many of them have been adapted into feature films, television movies and comic books. King has published fifty novels, including seven under the pen name Richard Bachman, and five non-fiction books. He has written nearly two hundred short stories, most of which have been collected in nine collections of short fiction. Many of his stories are set in his home state of Maine. King has received Bram Stoker Awards, World Fantasy Awards, British Fantasy Society Awards, his novella The Way Station was a Nebula Award novelette nominee,[3] and his short story "The Man in the Black Suit" received the O. Henry Award. In 2003, the National Book Foundation awarded him the Medal for Distinguished Contribution to American Letters.[4] He has also received awards for his contribution to literature for his …

fundo transparente para criar imagem PNG

---------------------------------------------------------------- ------------------------------------------------------------------ passe o mause em cima da parte branca entre as duas linhas tracejadas , clique com o botão direito do mause  e copie o fundo transparente para criar imagem PNG
Criar e imprimir cartão de visita e flyer