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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Quarto capitulo - novela - negociante de almas - Röhrig C. - lançamento 2015 - livro

Quarto capitulo - novela - negociante de almas - Röhrig C. - lançamento 2015 - livro



04
Decidi andar pelo estacionamento, para fazer hora. Estava cansado de esperar. Parecia que todos tinham esquecido o funeral. Vai ver o sujeito tinha razão. O velho Anderson não deveria ser boa gente. Andei entre os carros chutando todas as pedras que apareciam no caminho. Mas aquilo não estava funcionando da maneira que deveria. Olhei o relógio e tinha apenas passado dez minutos. Uma manhã interminável. O que significava isso? Você só percebe que está vivo pelo numero de horas que espera algo. Tudo é sempre uma espera. O pedreiro continuava tirando os tijolos de dentro do porta-malas do carro. Ele me viu.
- Dia bom hoje – ele disse. – Daqui a pouco o pessoal chega. Ainda é muito cedo. Sabe como é. O pessoal sempre gosta de deixar tudo pra ultima hora.
- Tens razão – Eu disse. – Eu é que cheguei muito cedo. Falta muito ainda?
- Estamos terminando.
- Serviço difícil este seu.
- Acostuma.
- Não gosto de cemitério.  Não gosto de nada que lembre a morte.
- É apenas um serviço.
- Vou pensar...
- Você esta abalado, porque é parente. Mas acostuma quando não se tem nenhum laço com o finado.
- Foi apenas um grande amigo. Não tínhamos nenhum parentesco.
- Melhor assim – ele disse. – preciso ir agora.
Fechou o porta-malas e saiu carregando os tijolos.
Do outro lado do estacionamento tinha um gramado com algumas árvores, decidi ir até uma árvore que tinha a copa bonita e frondosa. A grama ainda estava úmida do orvalho. Meus sapatos ficaram com o bico molhados. Caminhei até a árvore e fiquei apenas olhando para ela. Distraído. Ângelus se aproximou sem eu perceber.
- Bom dia, Pedro Rodríguez. – Ele disse.
Devo ter me virado de maneira estranha e assustado. Ele estava sorrindo, como se tivesse sido proposital sua aproximação sorrateira.
- Bom dia! – eu disse. – Ângelus.
- Chegamos cedo. Você não acha?
- Combinei com a viúva, que viria coordenar os preparativos.
- Tudo em ordem?
- Sim.
- Que bom. Não a nada pior do que uma despedida atrapalhada. Sabe como é as pessoas ficam muito sentimentais nestas horas. E tudo vira um drama.
- Mas é um drama! Eu disse, em bom tom.
- Não quero desprezar a sua dor meu amigo. Depois de um tempo se acostuma.
- Vai me dizer que você trabalha aqui.
- Meu trabalho tem algo a ver com este lugar, mas não necessariamente trabalho aqui.
- Cheio dos mistérios.
- Errado. É tudo muito simples, tão simples que você não consegue enxergar o obvio.
- Você conhecia mesmo o Anderson? Começo a achar que não.
- Porque você pensa isso?
- Estou achando que você é um daqueles malucos. Que adora ir a funerais.
Aí notei que seus sapatos estavam secos. Como podia não ter molhado os sapatos. Nem uma folha de grama. Limpos como na noite anterior. E usando o mesmo terno. Comecei a pensar que estava conversando com um fantasma, ou algum tipo de alucinação.
Ele notou que eu estava olhando para os sapatos.
- são bonitos. Gostou deles?
- São sim. De que marca é?
- Não me recordo, comprei há alguns meses na Itália. São feitos de forma artesanal e únicos.
- Deve ter custado caro?
- Valeu cada centavo. O conforto compensa.
Os carros dos parentes e amigos começaram a chegar ao estacionamento.
- Estão chegando.
- Vamos. – Ele disse.
E foi andando em direção do estacionamento.


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