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DICA DO DIA

Oitavo capítulo - novela - negociante de almas - Röhrig C. - lançamento 2015 - livro




08
Voltei para o apartamento à noite. Liguei para o Bernardo e combinei de tomar o café da manhã com ele. Bernardo conhecia há mais tempo a família Baum. Ele deveria saber de alguma coisa. Aquela historia toda não estava cheirando bem. Afinal de contas quem era este Sr. Ângelus? E que negocio ele tinha com o finado Anderson. Muitas perguntas e nenhuma resposta.  Encontrei dificuldades para pegar no sono, mas por fim consegui.
Na manhã seguinte, quando tomamos café juntos, comentei com Bernardo:
- Você conhece um sujeito meio estranho chamado Ângelus?
- Isso é nome – ele disse -, não conheço ninguém com um nome desses. Pergunte ao padre, parece até nome de anjo.
E começou a gargalhar.
- Estou falando serio!
- Eu também! Fale com o padre.
E continuou a rir, quase se engasgando com o café.
- Mas por quê? – perguntei.
- Só tem um problema.
- Qual?
- Simplesmente ele não pode falar. Nenhum padre pode falar.
E ficamos apenas olhando um para o outro. De repente o ar da sala havia ficado pesado. Ele largou a xícara na mesa e acendeu um cigarro. Falando pausadamente:
- Você acredita que algumas coisas que acontecem por acaso. Na verdade não existe acaso.
- Acredito em qualquer coisa.
Aí ele resolveu se levantar e eu o acompanhei. Fomos até os fundos da funerária. Ficamos andando entre os caixões no deposito. Parava na frente de cada caixão e explicava nos mínimos detalhes do que era feito e em qual tipo de situação era usado. Bernardo conhecia sua profissão como ninguém. Ele falava com paixão e orgulho. Lembrava o nome de cada morto que já tinha passado por ali.
Bernardo olhou para mim. E apontou para o caixão que estava ao lado.
- Este é perfeito pra você.
- Não obrigado. Ainda não estou precisando.
Ele falava como um alfaiate. Mostrava os caixões, como quem mostra ternos em uma loja.
- Olha o acabamento desta tampa, foi toda esculpida na mesma peça de madeira. Não tem nenhuma parte colada ou pregada.
Percebi que não íamos chegar a lugar nenhum. Fui andando até a frente da loja. Parei na entrada e fiquei observando a rua através da vitrine. As pessoas passavam pela calçada como se nada tivesse acontecido. Como se nada estivesse acontecendo. Desviavam o olhar da vitrine. Numa total negativa da possibilidade da morte. Apenas as crianças, paravam na frente da loja e espiavam para dentro através da vitrine. Elas tinham esta curiosidade a respeito do desconhecido.
Essa funerária estava ali desde quando eu podia me lembrar. Lembrava-me que já conhecia o local desde sempre. A única funerária da cidade. Todos que morriam na cidade passavam por ali. Bernardo era o ultimo lugar que alguém ia antes de virar comida dos vermes e ser esquecido no fundo de alguma cova ou mausoléu. 

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