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DICA DO DIA

Novela: O convite - 4 capítulo

4
Decidi que já era hora de ir embora. A garota tinha sumido. Quem eu estava tentando enganar? É provável que ela tenha se entediado com minha conversa. E agora deveria estar conversando e rindo em algum grupo. A festa estava toda dividida em grupos. Apenas eu continuava sozinho, sem afinidades e deslocado.
Monica passou mais uma vez pela sala, dava alguns passos, parava, conversava, sorria, algumas vezes parecia gargalhar, tocava no ombro de um e de outro convidado. A anfitriã era o centro das atenções, um merecido destaque já que a casa, o aniversario e os amigos, tudo a sua volta a pertencia. Notei que apenas ela usava vermelho, um lindo vestido vermelho. Seu vestido contrastava com a cor sóbria e cinza das vestimentas dos convidados. Como eu não tinha reparado nisso antes? Eu deveria estar nervoso quando entrei na festa, mas agora estou entediado. E começo a reparar nos detalhes.
Poderia ir até a outra sala conversar com Daniel e deixar ele me apresentar a seus amigos. Mas não gosto de conversas rasas, e não tenho muito assunto. Onde esta a garota? Penso. E no mesmo instante ela surge na porta, vindo em minha direção. Para o meu alivio. Ela voltou! Sorridente e mais linda do que antes. Como digo “a fome é o melhor tempero”, eu já estava faminto por sua companhia.
- Desculpe a demora – ela disse -, mas tinha uma fila enorme para o toalete.
- Nem percebi que você demorou.
- Não percebeu?
- Percebi sim, já estava quase cortando os pulsos.
- Exagerado....hehehe.
- Verdade. Quase pedi para o garçom chamar a policia. Pensei que tinham lhe sequestrado. Ou quem sabe abduzida. Eu já estava quase indo lhe procurar.
- Você é muito exagerado. – ela disse e deu uma bela gargalhada.
- Apenas por você.
- Desse jeito vou ficar convencida.
Começamos a brincar com as palavras, nos provocar. E a noite parecia que tinha voltado à vida. O calor da sua presença era algo contagiante. Meu bom amigo garçom voltou a cena, trazendo copos novos e mais cerveja.
- Pretende passar a noite toda ao lado da mesa?
- É que estou controlando a distribuição dos alimentos.
- Você sempre fala assim.
- Nem sempre, apenas quando eu gosto da pessoa.
- Gosto da sua ironia.
- Estou adorando lhe provocar. Eu adoro fazer as pessoas rirem. Sou meio palhaço.
- Você é modesto, apenas meio.
- Pelo visto também gosta.
Até aquele momento ainda não tinham servido o bolo. Um aniversário sem bolo e velas, não é um aniversário. Esperei o garçom servir uns convidados que estavam ao lado. E perguntei a ele.
- A que horas vão cantar os parabéns?
- Daqui a pouco, senhor.
- Pensei que íamos ficar só naquele discurso.
- É que a senhora ainda está esperando chegar alguns convidados.
Olhei o relógio, já passava das onze horas.
- Mas quem é que chega a meia noite numa festa?
- Não sei senhor, com licença.
- Pode ir amigo, mas não se esqueça de voltar com mais cerveja.
Esperei ele se distanciar e comentei com Caroline.
- Você escutou o que ele disse?
- Sim, mas não é de se estranhar.
- Quem esta faltando?
- A Monica tem muitos amigos e clientes que são artistas, e eles sempre se atrasam.
- Bom, eu também sou e cheguei na hora.
- Cada um tem a sua hora.
- Verdade, mais um motivo para eu ficar de vigia ao lado da mesa.
- Vai acabar engordando desse jeito.
- Na verdade estou usando apenas como apoio para o copo.
- Você não imagina a fila que estava no banheiro.
- Agora você começou a falar o meu idioma, aquele negocio de toalete me parece. Deixa pra lá melhor não comentar.
- Você não é tão grosso assim.
- É uma mascara.
- Logo percebi. Gostaria de ver os seus últimos trabalhos.
- Se quiser podemos ir agora.
- Outro dia combinamos.
- Pra você tenho todos os dias livres.
- É uma cantada?
- Entenda como quiser. Apenas não me abandone de novo. Esta festa ficou horrível quando você saiu.
- E porque não foi se enturmar, tem muitas pessoas legais aqui.
- Sei...
Enquanto ela falava não conseguia parar de olhar para os seus olhos e boca. Seus olhos transpareciam em pura energia e jovialidade. Sua boca de lábios carnudos e sensuais exacerbava uma feminilidade incrível e vigorosa. Era a perfeita combinação de força e delicadeza. Nunca tinha visto ou estado com uma mulher assim antes. E sua inteligência emoldurava todo o contexto. Tudo o que me atrai em uma mulher ela tem nas doses exatas e perfeitas. Principalmente o fato de entender as minhas piadas. Fiquei um bom tempo divagando e analisando a situação. Não sou do tipo fácil, mas ali já estava pronto para casar com ela e ter uma meia dúzia de filhos, uma casinha no campo e começar a pintar paisagens campestres. Até que ela perguntou.
- O que você esta pensando? Esta com uma expressão tão pensativa.
- Estava pensando se ainda vai demorar.
- O que?
- Para servirem o bolo, já esta ficando tarde e amanhã eu preciso me acordar cedo.
Tive que mentir, não podia falar a verdade.
- Humm...- ela disse com ar pensativo, como se não tivesse ficado muito convencida com a minha mentira.
- Mas tudo bem. Vou sobreviver mesmo que tenha que sair daqui direto para o trabalho.
- Pensei que estava gostando.
- Estou sim, não me interprete mal.
- Agora fiquei confusa.
- Por quê? Perguntei.
- Não sei...
Nossa conversa entrou por um caminho estranho. Aquele abismo que separa a comunicação entre homens e mulheres. Eu deveria ter sido sincero. De alguma forma ela percebeu a mentira. Mas como ela não sabia a verdade. A situação ficou estranha. Muitas coisas podiam estar passando na minha cabeça, e ela sabia que não entendia. Eu precisava consertar aquele mal entendido.
- Posso ser sincero?
- Deve!
- É meio constrangedor, mas acho que fiquei deslumbrado com você.
- Mas nem nos conhecemos.
- Por isso mesmo. É uma bobagem, vamos esquecer.
- Você quer esquecer?
- Não.
- Não precisa ficar constrangido. Fiquei lisonjeada, apenas acho que você deveria me conhecer mais.
- Vou adorar.
Ela segurou a minha mão. Por um minuto parecia que íamos nos beijar. Então Daniel apareceu na porta acenando para mim e roubou a cena.
- Acho que aquela pessoa esta lhe chamando. Ela disse.
- É o meu “amigo”.
- Você não vai lá?
Acenei de volta que já iria.
- Não sei o que ele quer.
- Se você quiser pode ir, eu fico esperando.
Ele continuava na porta. Acenando como se tivesse urgência.
- Eu não demoro.
- Não vai esquecer-se de mim.
- Pode deixar, com certeza deve ser alguma bobagem. Eu já volto.




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