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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Novela: O convite - segundo capitulo

“Você vai se surpreender com o final dessa historia. O que poderia ser apenas um convite para uma festa chata e fria, pode-se se tornar numa experiência única.”

02
Ela ficou ajeitando o cabelo, não conseguia decifrar se ela estava interessada ou se sentindo incomodada com a minha presença. As mulheres deveriam vir com um manual dentro da bolsa. Já que elas carregam tantas coisas, um manual seria bem útil. Quanto mais ela mexia no cabelo, seu perfume se espalhava. Um cheiro muito bom.
- E o que estamos comemorando?
- Não acredito que você não saiba.
- Estou sendo sincero, eu vim em uma viajem as segas.
- Percebesse. É o aniversario da Monica.
- Legal, adoro bolo de aniversario. Hehehe...
- Você é um comediante, mesmo.
Ela continuou rindo.
- Sou esforçado.
- Estou vendo.
Uma risada ao mesmo tempo meiga e debochada.
- Mas falando serio, o que você faz?
- Ainda não sei...
- Serio mesmo, o que faz?
- Tento pintar uns quadros, sabe como é.
- Interessante.
- Às vezes é sim, mas tem outras vezes que não sei muito bem o que estou fazendo.
- Você já fez alguma exposição? Onde posso ver suas obras?
- Ainda não fiz, apenas vendo algumas telas para amigos.
- Queria ver as suas pinturas.
- Podemos marcar alguma coisa.
- Ótimo!
- E você conhece todo este pessoal que esta na festa.
- A maioria sim, do escritório da Monica.
- O que ela faz mesmo?
- Ela trabalha com fotografia, tem um estúdio no centro.
- E você?
- Trabalho com ela, por isso acho estranho nunca ter te visto antes.
- Parece mesmo, mas fico feliz em te conhecer.
- Sim, também gostei de te conhecer.
- Parece que vamos ter um brinde.
- Por quê?
- O garçom esta distribuindo algumas taças de champanhe.
Mostrei-lhe o garçom que vinha em nossa direção.
O garçom tinha entrado na sala carregando uma bandeja com taças de champanhe. Distribuindo entre os convidados. Larguei meu copo de cerveja e peguei duas taças, uma para mim e a outra para a garota.
- Obrigada, mas não bebo.
- Mas apenas para o brinde.
- Quem sabe outro dia.
- Tudo bem, eu bebo por nos dois.
Coloquei uma das taças na mesa, e ficamos esperando. Ela ajeitou a alça da blusa que estava escorregando. Uma blusa de seda, com alças finas. Parecia que estava sem sutiã. A blusa deixava transparecer todas as curvas e o volume de seus seios rígidos. As pessoas agora estavam se aglomerando num dos lados da sala. Imaginei que deveria estar ali a aniversariante. Alguém deveria fazer um discurso.
- Acho que estamos chegando ao auge da festa. - eu disse.
Ela virou-se para o outro lado, como se procurasse algo.
 - Eu já volto. Ela disse.
- Aonde vai?
- Preciso ir ao toalete.
- Vai perder o brinde.
- Eu não demoro, e você já esta com nossas taças – ela disse -, não é mesmo.
- Ok!
A garota fez a volta na mesa e saiu pela outra porta. Nenhum dos outros convidados percebeu, estavam todos olhando para o mesmo lado. Esperando o brinde.
Alguém no meio da multidão gritou.
- Um momento! Um momento!
- Onde esta nossa querida anfitriã?
As pessoas ficavam olhando em volta como se a procurassem. Do outro lado do salão entrou uma linda mulher, loira, alta, vestindo um vestido vermelho. Ela atravessou o salão com imponência e delicadeza. Com um ar de superioridade. Um sorriso educado e falso. Aquela deveria ser a Monica, pensei. Tinha os traços do rosto parecidos com o de Caroline, mas a personalidade era o inverso da outra. Foi uma entrada triunfal. Quando as pessoas perceberam sua aproximação começaram a bater palmas. E abrir caminho para ela passar.
- Ai esta ela!
- A mulher mais adorada da cidade. Minha querida esposa!
Ela se aproximou e beijou o marido. Um beijo de aparências formais. Um leve tocar de lábios.
- Obrigado, querido. Ela disse.
Os aplausos continuaram. E o marido interrompeu mais uma vez, dando continuidade ao discurso. Que se seguiu ao ápice quando todos levantaram suas taças e brindamos a vida longa da aniversariante. Caroline tinha perdido tudo aquilo. Eu suportei bravamente apesar de sentir náuseas desse tipo de demonstração publica de afeto. Não sou muito chegado a firulas e outras delicadezas. Na verdade sou um sujeito bem grosso. Senti um alivio quando vi voltando-a.
- Pensei que tinha me abandonado?
- Desculpe querido.
- Eu já estava quase fugindo.
- Porque veio? Se não gosta de festas, deveria evitar.
- Eu sei, mas algo me disse que deveria vir. E foi bom ter vindo, apesar de não gostar.
- E porque acha que foi bom ter vindo.
- Se eu não tivesse vindo não teria lhe conhecido.
- Você é gentil.
- Estou sendo sincero, só o fato de te conhecer já valeu a pena.
- Obrigada.
Ela agradeceu e ficou com as maças do rosto levemente coradas.
- Mas você perdeu o brinde.
- É parece que sim.
-Tive que tomar as duas taças de champanhe.
- Que sacrifício, coitadinho.
- Quem esta sendo irônico agora.
- Estou apreendendo com você, heheh.
Começamos a rir.
Não sou do tipo que acredita em amor à primeira vista. Mas, pode ser que eu esteja enganado. Estar ali conversando com ela parecia mágico. Parecia que estávamos apenas os dois. Caroline me fazia sentir a vontade. Aumentaram o volume da musica e alguns casais começaram a dançar no meio da sala. O garçom trazendo mais bebido, bebida e comida de boa qualidade. A anfitriã podia ser uma esnobe, mas com certeza sabia dar uma festa.
Ela segurou meu braço e sussurrou em meu ouvido.
- Vamos dançar...
- Eu não sei, sou meio duro.
- Não se preocupe.
-É...
- Ninguém vai reparar, estão todos se divertindo.
- Tudo bem.
Passei meus braços por sua cintura, ela passou os delas pelo meu pescoço. E começamos a dançar na volta. Meus joelhos duros como cerne, ela tentava fazer com que me soltasse. E continuava falando palavras em meu ouvido.
- Você sabe dançar, estava escondendo o jogo.
- Agora é você que esta sendo gentil.
- Que perfume esta usando.
- Não lembro o nome, gostou?
- Sim, gosto desse cheiro amadeirado.
- Também gosto.
- E você gosta do meu.
- Sim, muito.
Acho que desde os anos 80, não tinha ido a mais nenhuma festa que se pudesse dançar junto. Em pleno ano de 2015, e lá estava eu dançando de novo juntinho com uma mulher incrivelmente encantadora. Depois de tantos modismos e estilos malucos de festas. Estava voltando no tempo. Parecia que estávamos nos anos 80. A música era dos anos 80. Uma sensação incrível poder sentir o calor do corpo dela, os batimentos do coração, sua respiração tão próxima. O som da sua voz, encostar meu rosto naquela pele tão macia. Morri e fui para o céu.
- Eu queria que esta noite nunca terminasse. – ela disse.
- Também gostaria.
Ela estava sendo sincera, dava para sentir em sua voz e olhar. Algo estava acontecendo entre nós. Eu também estava sendo sincero. E aquilo me assustava. Como pode duas pessoas que não se conhecem, que nunca se viram. E de repente parecemos tão íntimos e ligados. Como se já nos conhecêssemos muito bem. Algumas pessoas chamam isso de química, paixão. Eu apenas estava assustado. O mundo poderia parar ali. Perfeito.
- Eu não quero que acabe nunca esta noite.
- Mas já esta começando a ficar tarde.
- Por onde você andou todo este tempo?
- É incrível, nunca termos nos encontrado antes.
- Quero me encontrar com você amanhã....e depois....
- Não sei se será possível.
- Por quê? O que lhe impede? Você tem alguém?
 - Não é isso.
- Então o que é?
A música terminou, e voltamos para próximo da mesa. Ela parecia meio perturbada com a minha insistência. Como se estivesse escondendo algo. Comecei a imaginar que ela deveria ter um namorado, ou pior, podia ser casada. Eu não me importava em ser amante dela. Apenas não queria perde-la.
- Me fala apenas o numero do seu telefone? Eu não vou ligar, prometo.
- Não tenho telefone.
- Posso ligar para o estúdio amanhã.
- Você acabou de falar que não ia ligar.
- Mas o estúdio é um local publico.
- Eu procuro você.
- Você me procura? Quer o numero do meu telefone?
- Não precisa, tenho na agenda do escritório.

Quanto mais difícil ficava e misteriosa, mais eu me perdia nela. Começava a achar que poderiam existir almas gêmeas. Caroline pediu licença, para ir falar com a anfitriã. Aproveitei para pegar outra cerveja com o garçom. 

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