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quarta-feira, 11 de março de 2015

15 capítulo - novela - negociante de almas - Röhrig C. - lançamento 2015 - livro

15 capítulo - novela - negociante de almas - Röhrig C. - lançamento 2015 - livro

15
Camila tinha uma casa afastada da cidade. A casa ficava no meio de um bosque. Fui de carro até a casa, guiando por uma estrada estreita de terra. Nunca entendi porque eles moravam ali. Afastados da cidade e cercados por árvores. Parecia até um esconderijo. Mas depois que você passava o bosque, aparecia um lindo gramado. Uma área aberta e a casa ao fundo. Estacionei o carro na entrada. Toquei a campainha. Eram sete da noite quando Camila abriu a porta. Camila com seus vinte e poucos anos, cabelo ruivo, longo, sensual e carismática. Uma garota da capital, livre e alegre, sem muito formalismo. Muito diferente do pessoal da cidade. Tinha uma energia em seu olhar, pura vitalidade. Ela era especial. Tudo nela era perfeito, o velho Anderson tinha acertado na escolha. E ela na nova cor do cabelo. Lá estava eu a sua porta. Agora que o meu velho amigo estava morto podia olhar pra ela e pensar em muitas coisas. Entrei atrás dela.
- Encontrou fácil o caminho? – perguntou Camila.
- sim. Eu já estive aqui. Lembra? Acho que foi no inverno passado. Fizemos uma pescaria no açude.
Sentei junto a mesa de jantar na sala enquanto Camila abria uma garrafa de vinho tinto seco.
 - Como você esta? – eu disse - No final aquele dia não foi possível conversarmos.
- Estou melhor agora. Mas foi muito difícil no inicio.
- Imagino. Ele sempre falava do amor que tinham.
- Não foi por causa do amor. É que são muitos compromissos.
- Que compromissos?
Ela encheu novamente nossos copos.
- Vamos esperar mais um pouco. Daqui a pouco vai chegar alguém que pode explicar melhor.
- Ângelus?
- Outra pessoa.
- Esta até parecendo uma historia de ficção. Só ainda não entendi se é policial ou de mistério.
- Essa pessoa que estamos aguardando vai lhe explicar. Peço-lhe apenas que tenha um pouco mais de paciência.
- Mais!
- Seja razoável.
- Eu estou sendo, apenas não consigo entender.
- Você vai entender tudo. Esta pessoa é da mais alta confiança. Não tem com o que se preocupar. Daqui a pouco ela deve chegar. Na verdade já deveria ter chegado.
- Combinou muito com seu rosto.
- O que?
- A cor do cabelo. Perfeito!
- Obrigada, quis mudar o visual.
- Visual novo, vida nova.
- Sim. Fico feliz que tenha gostado.
Ela mal terminou a frase. Escutamos o barulho de um carro se aproximando e estacionando na frente da casa. Camila foi abrir a porta. Antes de chegar à porta a campainha tocou. Ela abriu a porta. Fui pego de surpresa não imaginava que seria aquela pessoa. Ele entrou na sala, e eu falei de forma automática e surpresa.
- Você!?
- Posso lhe explicar.... – Ele disse.
- O que esta acontecendo aqui? Perguntei nervoso.
Camila interviu.
- Ele não podia lhe falar. Tinha prometido manter segredo.
- Quem mais está envolvido?
- Pedro. Vamos conversar. – Bernardo disse.
- O que vocês estão escondendo?
Foi à vez de Bernardo falar:
- De onde você acha que veio todo este dinheiro. Lembra que lhe falei a respeito do passado do Anderson.
- Sim, mas o que isto tem a ver. Com todas estas pessoas.
- Pare! Você tem que me escutar. Deixa-me falar.
- Ok, prossiga.
Camila se sentou na outra extremidade da mesa. Bebendo seu vinho. Enquanto Bernardo se sentou ao meu lado e pegou uma taça para ele e tomou um gole. Enquanto Camila nos observava.
- Ótimo vinho Camila! – ele disse.
Camila levantou e serviu mais vinho para mim. Realmente um ótimo vinho. Ela estava deslumbrante.  Era uma sensação boa estar perto dela. Lembrei-me que agora ela estava livre e desimpedida. Senti certo clima no ar quando ela me olhava. Talvez até tenha sido bom pra mim. Estar metido naquela historia, que o velho Anderson descanse em paz. A paz fazia parte do lema da funerária do Bernardo. Só queria saber se era recíproco o meu sentimento. Se ela também sentia que existia uma química.
-  Camila – disse ele -, o que você já contou?
- Nada, Bernardo.
- Estávamos esperando você chegar para começar a desenrolar a historia. – disse eu.
- Ótimo! Então vou lhe contar Pedro. Mas primeiro tens que jurar que não vai contar nada pra ninguém.
- Pode confiar amigo – disse eu -, não se preocupe.
- É muito serio, entende.
- Já falei. Pode confiar.
- Depois que você souber, não vai poder mais sair. Entende.
- Do que se trata?
- Quer saber mesmo? Se eu lhe contar vai ter que fazer parte. Não poderá sair mais.
- Tudo bem. Eu topo.
Camila foi à cozinha pegar outra garrafa de vinho. Enquanto Bernardo começou a falar do que se tratava.





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