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sábado, 21 de março de 2015

17 capítulo - novela - negociante de almas - Röhrig C. - lançamento 2015 - livro


17
Camila voltou com a garrafa de vinho.
- Como esta a conversa rapazes?
- Pedro esta começando a entender – ele disse -, não é mesmo Pedro?
- Sim, estou começando a entender.
Porque eles estavam me contando? Comecei a pensar que existiam bem mais coisas do que ele estava me contando. E onde se encaixava o Padre e o sujeito dos sapatos de espelho. Como conseguiram esconder durante tanto tempo um negócio desses numa cidade tão pequena.
- Então vocês formaram uma quadrilha? Eu disse.
- Digamos uma filial. Uma empresa que fornece muitos produtos.
- E o que o Padre tem a ver com esta historia?
- Nada, ele não tem nada a ver.
- Mas você insistiu tanto que eu o procurasse.
- Foi apenas para lhe distrair. Você estava obcecado em descobrir algo.
- E agora?
- Agora já sabe a verdade. E pode nos ajudar.
- Não sei se quero me envolver com isso.
- Já está envolvido.
Bernardo parecia acreditar que o Padre não estava envolvido, mas algo me dizia o contrario. A maneira como o Padre ficou nervoso com a minha visita. Eu não tinha engolido aquela historia de insolação, de que o sol estava perigoso e etc. ele não queria era ser visto comigo. Estava com medo. E quando falei no nome do sujeito “Ângelus” tive a certeza de que ele sabia de alguma coisa muito seria. Talvez o Padre saiba de coisas que nem Camila ou Bernardo sonham.
- O dinheiro é muito bom, e não tem nenhum risco.
- E o velho morreu de causas naturais? Perguntei, de forma sarcástica.
- Pode-se dizer que sim. Digamos que ele morreu de uma ganância natural. Mas acredito que você não sofra do mesmo mal dele.
- Vocês o mataram?
- Não! Camila deu um grito.
- Então quem o matou?
- E isto realmente importa? Bernardo disse.
- Ele era meu amigo.
- Sei...
Tudo começava a fazer sentido. Dois dias antes de o velho Anderson morrer, ele tinha me procurado. Estava meio impaciente e nervoso. Foi até o meu apartamento e quando ele ia falar algo, seu telefone tocou. Nunca terminamos nossa conversa. Suas viagens rotineiras a São Paulo. A casa afastada da cidade, escondida no meio do bosque. Da ultima vez em que estive no inverno passado. Algo tinha me chamado a atenção, mas não dei bola. Achei que era apenas a movimentação normal de caminhões abastecendo o sitio com insumos para as lavouras. Ele nunca tinha explicado muito bem seus negócios.
- O que estou tentando lhe dizer Pedro, é que agora vamos precisar de alguém jovem como você. Bernardo disse.
- E no que posso ser útil?
- Precisamos de alguém que continue indo a São Paulo para levar e trazer informações. Apenas isso. O que acha?
- Preciso pensar. Não quero me envolver com nada ilegal.
- Mas você não vai propriamente se envolver. Precisamos apenas que leve e traga informações.
- Porque vocês acham que eu não vou sair daqui e ir direto à delegacia.
- Porque o Anderson confiava em você. E foi Camila quem pediu que lhe envolvesse no esquema.
- Muito gentil da sua parte Camila.
- Podemos contar com você? Ela perguntou.
- É como lhe falei. Existem muitos níveis, muitas pessoas envolvidas e nem todo mundo tem acesso. Eu mesmo não conheço todos os envolvidos. Não seria prudente querer arriscar. Existe uma razão para nunca ter sido descoberto as nossas atividades. Pense nisso. Bernardo completou.
- Vou pensar...
Senti que a conversa tinha chegado ao fim, pelo menos naquele momento. Camila nos convidou para irmos para outra sala mais reservada. Uma sala pequena onde a comida estava posta sobre a mesa. Não parecia nenhum banquete. A pequena sala devia ser usada para os empregados fazerem as refeições. Foi um jantar silencioso e tenso.  Comi a comida com pressa, estava curioso para saber a versão do outro sujeito. Ângelus já deveria estar me aguardando.
- A conversa foi muito esclarecedora. A comida estava boa. Mas preciso ir agora.
- Lembre-se do que comentamos. Amanhã você pode me responder. Bernardo disse.
- Não vai ficar para a sobremesa? Camila perguntou.
- Preciso ir, mas obrigado.
Levantei e fui saindo.
- Eu lhe acompanho até a porta. Camila disse.
- Não se incomode eu sei o caminho.





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